Exercícios sobre o poema Navio Negreiro, de Castro Alves

Atividades sobre Romantismo no Brasil, indicadas para o 2º ano do Ensino Médio / Prova de Literatura pronta

Castro Alves é um dos maiores poetas da terceira geração romântica, também conhecida como geração Condor. Chamado como o "único poeta social do Brasil", sua obra atingiu fama e reconhecimento pela crítica. Inspirado pela poesia de Victor Hugo, Castro Alves tomou parte nas questões sociais, principalmente em relação à escravidão. O combate ao sistema escravagista rendeu ao escritor a alcunha de Poeta dos Escravos. O pensamento liberal do final do século 19 e o movimento abolicionista também foram grandes influências para o poeta.

O Navio Negreiro é uma poesia de Castro Alves que integra um grande poema épico chamado Os Escravos. Escrita em 1869, a poesia relata a situação sofrida pelos africanos vítimas do trafico de escravos nas viagens de navio da África para o Brasil. Ela é dividida em seis partes com metrificação variada. Os textos a seguir, partes de O navio negreiro, são a descrição do que se via no interior de um navio negreiro. Perceba a capacidade de Castro Alves em nos fazer ver a cena, como se estivéssemos num teatro.

Parte 1

Era um sonho dantesco... o tombadilho 
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite... 
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...

Negras mulheres, suspendendo às tetas 
Magras crianças, cujas bocas pretas 
Rega o sangue das mães: 
Outras moças, mas nuas e espantadas, 
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente 
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala, 
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...

Presa nos elos de uma só cadeia, 
A multidão faminta cambaleia / E chora e dança ali!

Parte 2

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são?   Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...

São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...

São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão...

Parte 3

Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...

Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer...
Prende-os a mesma corrente 
Nas roscas da escravidão

Vocabulário:

açoite: chicote.
algoz: carrasco, executor da pena de morte ou de outras penas corporais (como tormentos, açoites etc.).
arquejar: ofegar.
dantesco: relativo às cenas de horríveis narradas por Dante Alighieri em sua obra Divina comédia, na parte em que descreve o inferno.
luzernas: clarões.
mosqueado: que tem o corpo salpicado de pintas ou manchas.
musa: na mitologia da Grécia antiga, cada uma de nove deusas representadas por jovens belas e virginais.
Serra Leoa: país localizado na região oeste do continente africano.
tombadilho: alojamento do navio.
 turba: grande número de pessoas, multidão potencialmente violenta.
turbilhão: redemoinho.
vãs: inúteis, sem valor.

Após a leitura sobre Castro Alves e sua obra ‘O Navio Negreiro’, responda as questões:

1. O texto revela grande força expressiva em razão de sua plasticidade, criada a partir das fortes imagens e das sugestões de cor, som e movimento que envolvem a cena. Com relação a esses recursos, responda:
a) Duas cores são postas em contraste na 1ª e na 2ª estrofes da PARTE 1. Quais são elas e o que representam?
b) Observe as estrofes da PARTE 1 e destaque delas palavras ou expressões que sugiram movimento.
c) Observe a 1ª e a 3ª estrofes e destaque delas palavras ou expressões que se associem a sonoridade.

2. A PARTE 2 começa com uma invocação (um chamado). Quem o poeta invoca (chama) nos primeiros versos?

3. A partir da terceira estrofe da PARTE 2, há uma mudança de voz no poema. De quem é essa voz?

4. Quem são os desgraçados que o poeta cita no texto? Comprove com versos do texto.

5. Explique o verso: “Nem são livres pra morrer” (PARTE 3).

6. Esse poema de Castro Alves é um exemplo de Literatura engajada, ou seja, literatura a serviço de uma causa. O poeta tenta sensibilizar as pessoas para o drama que representava a escravidão, ou seja, "O navio negreiro" tem uma finalidade política e social evidente: a erradicação da escravidão no Brasil.
a) De que modo o poeta procura atingir o público e convencê-lo de suas ideias: com argumentos racionais ou com a exploração das emoções? Justifique.
b) O que você acha: a arte (música, cinema, teatro, etc.) é um meio eficaz para denunciar problemas sociais?Justifique. 

7. Em relação à terceira estrofe da PARTE 2, assinale a afirmativa correta com relação ao sentido expresso pelos versos transcritos.

(A) descreve a vida dos escravos nas fazendas.
(B) saúda a liberdade decorrente da abolição da escravatura.
(C) salienta a integração dos negros com os índios.
(D) compara o negro livre, na África, com o negro escravizado no Brasil.
(E) propõe que os negros se tornem escravos por quererem fugir do deserto.

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