Tipos de Argumentos - Exercícios

Atividade de Língua Portuguesa/Redação para o Ensino Médio. Tema: Argumentação.

Identifique o tipo de argumento utilizado em casa trecho (argumento de autoridade, argumento histórico, argumento de exemplificação, argumento de comparação ou argumento de comprovação)

a) Embora o conceito contemporâneo de democracia preveja a universalidade dos direitos, a persistência da exclusão digital e do analfabetismo funcional no Brasil moderno ecoa a estrutura da Grécia Antiga. Naquela época, o debate político na ágora era restrito a uma minoria privilegiada (homens livres e proprietários de terras); hoje, a falta de acesso à educação de qualidade continua a segregar o cidadão comum das decisões que moldam o país, provando que a democratização plena ainda é um projeto inacabado.

b) A precarização do trabalho na era dos aplicativos (uberização) encontra paralelo histórico na Primeira Revolução Industrial do século XVIII. Assim como no início da industrialização inglesa, onde a ausência de leis trabalhistas submetia o operariado a condições degradantes em nome do lucro rápido, os trabalhadores informais de hoje enfrentam jornadas extenuantes e desamparo jurídico, mascarados pela falsa narrativa de autonomia e empreendedorismo.

c) O racismo estrutural que se manifesta cotidianamente nas instituições brasileiras não é um fenômeno recente, mas uma herança direta de mais de três séculos de escravidão colonial. A assinatura da Lei Áurea em 1888 limitou-se a conferir a liberdade jurídica aos negros, sem fornecer-lhes condições de moradia, emprego ou educação. Consequentemente, a atual marginalização socioeconômica da população preta reflete a perpetuação desse abandono histórico.

d) O movimento antivacina e a hesitação vacinal observados no século XXI demonstram que o Brasil ainda enfrenta fantasmas do passado. Em 1904, a Revolta da Vacina expôs como a falta de campanhas educativas pode gerar desconfiança na população. Hoje, o cenário se repete de forma digital: a desinformação em massa substitui a falta de instrução daquela época, gerando o mesmo resultado catastrófico de recusa à ciência

e) A crescente dependência das redes sociais tem transformado a natureza dos vínculos humanos na contemporaneidade. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade atual vivencia uma 'Modernidade Líquida', caracterizada pela fragilidade e pela volatilidade das relações, que passaram a ser pautadas pelo consumo e pelo descarte rápido. Sob essa ótica, as interações virtuais priorizam a quantidade de conexões em detrimento da profundidade afetiva, gerando indivíduos conectados, mas profundamente solitários.

f) O acesso desigual aos bens culturais — como teatros, cinemas e museus — no cenário brasileiro funciona como um mecanismo invisível de exclusão. Para o sociólogo Pierre Bourdieu, o sucesso escolar e social está diretamente ligado ao 'capital cultural' acumulado pelo indivíduo em seu núcleo familiar. Assim, quando o Estado falha em democratizar o acesso à cultura de elite, ele perpetua uma violência simbólica, na qual as classes marginalizadas são penalizadas por não possuírem os mesmos referenciais daqueles que detêm o poder econômico.

g) A atual crise climática global exige uma mudança urgente na forma como a humanidade se relaciona com o planeta. Em sua obra, o líder indígena e pensador Ailton Krenak critica a visão antropocêntrica ocidental que transformou a Terra em uma mera mercadoria a ser explorada até o esgotamento. Krenak argumenta que a humanidade se divorciou da natureza, esquecendo-se de que é parte dela. Portanto, mitigar o aquecimento global requer ir além das metas econômicas, exigindo uma profunda revisão ética do nosso modelo de civilização.

h) A propagação indiscriminada de notícias falsas nas redes sociais possui um potencial destrutivo que transcende o ambiente virtual, gerando violência física real. Prova contundente disso foi o linchamento de Fabiane Maria de Jesus, em 2014, no Guarujá (SP), que ocorreu após uma página de rede social divulgá-la erroneamente como uma sequestradora de crianças para rituais de magia. Esse caso emblemático demonstra como o linchamento virtual, alimentado pela falta de checagem de fatos, aniquila vidas e destrói o tecido social antes mesmo que a justiça possa agir.

i) A primazia do lucro financeiro sobre a preservação ambiental e a segurança humana tem gerado catástrofes irreparáveis no território brasileiro. A título de exemplificação, o rompimento da barragem de Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), em 2019, expôs de forma trágica as consequências da leniência corporativa e da fiscalização estatal ineficiente. O desastre, que resultou na perda de centenas de vidas e no soterramento de ecossistemas inteiros pelo mar de lama, ilustra perfeitamente como a negligência de grandes corporações trata os impactos humanos e ecológicos como meros danos colaterais aceitáveis.

j) O sistema penitenciário brasileiro perpetua um ciclo de violência que caminha na contramão de modelos internacionais bem-sucedidos, como os dos países escandinavos. Na Noruega, por exemplo, as prisões são desenhadas como centros de reabilitação focados no trabalho e na saúde mental, o que resulta em uma das menores taxas de reincidência criminal do mundo. Diferentemente dessa abordagem humanizada, os presídios no Brasil operam como verdadeiras 'masmorras modernas', superlotadas e controladas por facções, nas quais a punição severa se sobrepõe à recuperação, devolvendo à sociedade indivíduos ainda mais marginalizados.

k) A desigualdade educacional no Brasil atua como um motor de perpetuação da pobreza, fato que se consolida ao analisar os indicadores socioeconômicos do país. Conforme apontam as pesquisas do IBGE, indivíduos com ensino superior completo possuem rendimentos significativamente maiores — muitas vezes o triplo — em comparação àqueles que não concluíram a educação básica.

l) A glorificação da produtividade e o ritmo frenético do mercado corporativo contemporâneo estão cobrando um preço alarmante da saúde mental da população. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil lidera os rankings de ansiedade na América Latina e apresenta índices crescentes de Síndrome de Burnout. Além disso, os registros de afastamentos trabalhistas por distúrbios psíquicos cresceram drasticamente nos últimos anos. Esses indicadores numéricos comprovam que o esgotamento psicológico deixou de ser um drama individual para se tornar uma epidemia coletiva, escancarando a necessidade urgente de as empresas reformularem suas culturas organizacionais.


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